
Quais as decisões que a senhora julga urgentes para São Paulo?
Nosso maior desafio é promover a inclusão social, por meio de programas que atinjam a população de baixa renda. Para isso, vamos ampliar os programas para os mais pobres. E, apoiar, fortemente, os que saíram da pobreza – e agora formam uma nova classe média. Os que têm melhor nível de renda também precisam ser atendidos, com medidas que estimulem o empreendedorismo, porque são os que pagam mais impostos.O trânsito e o transporte não podem continuar dando tanto prejuízo. No sistema de saúde, precisamos acabar com a demora absurda na marcação de exames e oferecer serviços de especialidades para tratar das doenças mais sérias. Na segurança, diminuir a violência e o crime em São Paulo, com trabalho preventivo e comunitário. Na educação, temos que melhorar a qualidade de ensino e criar a Rede CEU, fazendo com que o conceito de educação/lazer/cultura chegue às crianças de toda a cidade, mesmo as que não estão matriculadas num CEU.
Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleita?
Trânsito e transporte público. As ações de curto prazo concentram-se em melhorar a gestão, investindo na CET, com equipamentos e pessoal para reduzir os congestionamentos. É necessário ter guinchos para retirar das ruas carros e ônibus quebrados. Hoje temos menos marronzinhos que em 2004.Outra ação é aumentar rapidamente a velocidade dos ônibus nos corredores. Fazer com que os semáforos sejam regulados para facilitar o fluxo no corredor e estudar maneiras para que as pessoas entrem mais rápido nos veículos, como ocorre no metrô, com pequenas paradas nas estações sem prejuízo do tempo de uso do Bilhete Único, e fazer com que volte a recarga de créditos na catraca.Sobre os resultados no médio e longo prazo, pretendemos investir muito no metrô e em novos corredores de ônibus, mais que dobrando a rede de metrô até 2014, em parceria com o governo do estado e o governo federal, e construindo 279 kms de novos corredores de ônibus.
Como aprimorar a qualidade do serviço de transportes públicos, que oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação?
Vamos investir pesadamente no metrô em parceria com os governos estadual e federal. Quando ainda era ministra do turismo, apresentei um plano ao presidente Lula, prevendo uma ampliação de mais 65 quilômetros de metrô em São Paulo até a Copa do Mundo de 2014. Isso significa dobrar a rede já existente. É possível fazê-lo e, para isso, propomos que o financiamento seja de 25% dos recursos da prefeitura, 50% do estado e 25% do governo federal.Também vamos criar mais corredores de ônibus, aumentando a velocidade nos existentes. Praticaremos uma política de renovação permanente da frota como a que tínhamos na gestão anterior. Quanto ao Bilhete Único, quanto mais benefícios oferecer, mais as pessoas preferirão usar o transporte coletivo para se deslocar pela cidade.
O que a senhora pensa sobre a Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
Vamos manter, até porque na minha gestão tínhamos implantado o programa Belezura, que já previa esse tipo de intervenção. Agora falta encontrar formas de ajudar na recuperação dos imóveis cujas fachadas degradadas ficaram expostas.
Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade. O que a senhora pretende fazer para solucionar este problema?
O comércio ambulante deve ser regulado, os espaços delimitados e os negócios regularizados. O ordenamento é importante para evitar a concorrência desleal, mas o assunto deve ser tratado com sensibilidade, pois o comércio informal tem características de empreendedorismo, uma importante forma de geração de riqueza, emprego e renda.O desenvolvimento de políticas de estímulo ao empreendedorismo será uma de nossas prioridades, tanto de quem já está estabelecido, quanto na geração de novos empreendedores e na regularização dos negócios de quem tem atividade informal. Isso exige atenção a questões de natureza tributária e simplificação de processos, para criar novas empresas e também fechar, quando for o caso. A prefeitura pode também ter um papel importante em ações de apoio e orientação para a formalização dos negócios.
Milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches...
A educação infantil é um dos mais graves problemas que temos. Há um tremendo déficit de vagas nas creches. Procuraremos atender a demanda por meio de um conjunto de ações, entre as quais, a integração CEI/EMEI (Centro Educacional Infantil/Escola Municipal de Educação Infantil) numa única escola, para atender à primeira infância. Vamos fazer uma oferta, também, de período integral para as crianças que necessitem, e ampliar o funcionamento de EMEIs para seis horas.No que diz respeito à grande demanda por vagas em creche, vamos combinar a construção de novas unidades, com a ampliação dos convênios com instituições particulares, e implementaremos o programa Pró-Criança nos moldes do Prouni (Programa Universidade para Todos), com creches particulares e mais vagas.

